sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Meu Pai Logun-Ede

Logum Edé

 Era filho de Oxóssi com Oxum.

Era o príncipe do encanto e da magia.
Oxóssi e Oxum eram doi sorixás muito vaidosos e orgulhosos e por isso viviam brigando.
A vida do casal estava insuportável e resolveram que era melhor se separar.
O filho ficaria metade do ano nas matas com Oxóssi e a outra metade com Oxum no rio.
Com isso, Logum se tornou uma criança de personalidade dupla:
cresceu metade homem, metade mulher.
Oxum proibiu Logum de brincar nas águas fundas,
pois os rios eram triçoeiros para uma criança de sua idade.
Mas Logum era curioso e vaidoso como os pais.
Logum não obedecia à mãe.
Um dia Logum nadou rio adentro, para bem longe da margem.
Obá, dona do rio, para vingar-se de Oxum, com quem mantinha antigas querelas,
começou a afogar Logum.
Oxum ficou desesperada
e pediu a Orunmilá que lhe salvasse o filho,
que a amparasse no seu desespero de mãe.
Orunmilá, que sempre atendia à filha de Oxalá,
retirou o príncipe das águas traçoeiras e o trouxe salvo à terra.
Então deu-lhe a missão de proteger os pescadores
e a todos os que vivessem das águas

Meu Pai Oxumarê


Oxumarê

 
Oxumarê é o Orixá que rege sobre a sexualidade e seu campo preferencial de atuação é o da renovação dos seres, em todos os aspectos. 

Oxumarê é um dos orixás mais conhecidos, e no entanto é o mais desconhecido dos orixás dentro da Umbanda, pois os médiuns só cultuam a orixá Oxum, que na linha do Amor ou da Concepção forma com ele a segunda linha de Umbanda.

O aspecto positivo de Oxumarê, que nos chega através das lendas dos orixás, é que ele simboliza a renovação. Isto é verdadeiro. E o aspecto mais negativo é que ele é andrógino, ou parte macho e parte fêmea. Mas isto não é verdade.

É inadmissível que uma divindade planetária tenha essas qualidades bissexuais, que só acontecem em seres com disfunções genéticas que provocam má formação, ou dupla formação dos órgãos sexuais, e em seres com desequilíbrios emocionais ou conscienciais que fazem com que, psiquicamente, eles troquem seus sinais mentais e invertam sua sexualidade.

Portanto, não tem sustentação alguns médiuns, com seus sinais sexuais trocados, alegarem que são homossexuais porque são filhos de Oxumarê e que ele é um orixá que por seis meses é macho e por seis meses é fêmea.

Seres humanos com má-formações emocionais, mentais, genéticas ou conscienciais, no afã de se justificarem, passam às divindades suas vicissitudes humanas e não atentam para um detalhe fundamental: com seus desequilíbrios, estão desfigurando divindades planetárias que existem no mundo desde que Deus o criou, que são imutáveis em sua natureza, seja ela masculina ou feminina, e que regem alguns sentidos dos seres humanos, mas também regem outras dimensões planetárias paralelas à dimensão humana da vida.

Logo, desumanizaram uma divindade que humanizou algumas de suas qualidades, atributos e atribuições somente para acelerar nossa evolução e nos conduzir pelo caminho reto.

Bastará um pouco de bom senso para detectar, nesta caracterização negativa de Oxumarê, uma justificativa de seres com desequilíbrios emocionais, mentais, conscienciais ou genéticos, já que uma divindade é de natureza positiva ou negativa, ativa ou passiva e masculina ou feminina, mas nunca possui as duas em si mesma.

Logo, que cultue um Oxumarê andrógino aquele que é desprovido do bom senso, certo?

“Quem não souber valorizar a religiosidade que o libertará da terra, então que pague caro pela religiosidade que o aprisionará num diletantismo materialista!”

Saibam que é isto que tem feito, e muito bem, este nosso irmão cósmico encarnado que, após ser afastado da Umbanda, criou todo um culto cuja doutrina, ao invés de pregar os valores maiores de Jesus Cristo, tem pregado, religiosamente, os seus próprios valores da “mais valia”. E também tem cobrado de seus fiéis seguidores o justo preço que ele estipulou: tudo o que puder tirar deles para usar em seu próprio benefício, ou de sua “igreja”. Que pague para cultuar Deus quem não aprendeu a amá-Lo e adorá-Lo de graça! Certo?

Oxumarê, tal como revela a lenda dos orixás , é a renovação contínua, mas em todos os aspectos e em todos os sentidos da vida de um ser. Sua identificação com Dá, a Serpente do Arco-íris, não aconteceu por acaso, pois Oxumarê irradia as sete cores que caracterizam as sete irradiações divinas que dão origem às Sete Linhas de Umbanda. E ele atua nas sete irradiações como elemento renovador.

Oxumarê é a renovação do Amor na vida das pessoas. E onde o amor cedeu lugar à paixão, ou foi substituído pelo ciúme, então cessa a irradiação de Oxum e inicia-se a dele, que é diluidora tanto da paixão como do ciúme. Ele dilui a religiosidade já estabelecida na mente de um ser e o conduz, emocionalmente, a outra religião, cuja doutrina o auxiliará a evoluir no caminho reto.

Ou não é comum os testemunhos dados pelos neo-convictos no púlpito dos pastores mercantilistas, que dizem quase todos isto:



“Irmãos, quando eu frequentava a Umbanda, eu fornicava, traía minha esposa e irmãos, gastava meu ordenado no jogo e nas bebidas, mentia, mas desde que me converti e me entreguei a Jesus, tudo em minha vida mudou. Hoje vivo para minha esposa e filhos, e para Jesus!”.

Sem dúvida, concordamos nós. Mas... porque o mesmo irmão não ouviu os conselhos recebidos nos centros de Umbanda, que, se seguidos corretamente, o teriam conduzido pelo caminho reto?

Não, ele não só não deu ouvidos às orientações dos guias e dos pais e mães espirituais, como deu vazão ao seu emocional e deu início ao mau uso do que aprendia dentro de uma religião magística por excelência, quando solicitava aos Exús que fechassem os caminhos de seus desafetos em todos os campos da vida, além de pedir outras coisas, tais como: mulher, dinheiro, posses, etc.

E ele não diz que nasceu numa família católica e cristã, mas porque era um relapso para as coisas da fé, foi até a Umbanda para ver se nela se emendava.

Como não conseguiu, logo acabou retomando ao reformatório religioso de Jesus Cristo. Pois é isto o que são as igrejas evangélicas: reformatórios religiosos onde nosso amado mestre Jesus recolhe os que nasceram sob sua irradiação luminosa mas não souberam captá-la da forma passiva como ela é passada pela Igreja Católica. Ele, que é bondade, amor e misericórdia, os conduz às divindades naturais (que são os orixás), os conduz ao espiritismo e a muitas outras doutrinas para ver se encontram uma onde suas naturezas ativas absorvam irradiações luminosas. Mas, quando vê que eles não se adaptam em nenhuma delas, ativa seu pólo cósmico, e um de seus aspectos negativos logo os arrasta para um de seus reformatórios religiosos, para que eles voltem a trilhar o caminho reto. E se o aspecto negativo ativado não conseguir reconduzi-los ainda na carne, não desistirá, mesmo depois de desencarnar.

Renovação, eis a palavra chave que bem define o divino Oxumarê que, em seu aspecto negativo, tem um mistério escuro chamado por nós de “Sete Cobras” ou “Sete Caminhos Tortuosos”, que é por onde transitam todos os seres que saíram do caminho reto e entraram nos desvios da vida, que sempre conduzem aos caminhos da morte.

Bem, já falamos sobre vários aspectos do nosso pai Oxumarê e de nossa amada mãe Oxum, que formam um par energético, magnético, vibratório que dá formação à segunda linha de Umbanda, que é a linha do Amor ou da Concepção. Como dissemos, se nos estendêssemos daria um volumoso livro. Por isso encerramos aqui nosso comentário.



Oferenda em louvor ao Pai Oxumarê



Uma vela branca, uma vela azul, uma vela verde, uma vela dourada, uma vela vermelha, uma vela roxa, uma vela rosa, uma vela marrom terroso.

Colocar no centro um melão aberto numa das pontas e derramar dentro dele um pouco de champagne rosé; o resto deve ser deixado na garrafa dentro do círculo de velas coloridas.

Façam esta oferenda próximo de uma cachoeira.

Acender a vela branca e circulá-la com as sete velas coloridas, guardando uma distância de 30 cm entre o centro e o círculo colorido. Deve-se, então, circundar as velas com flores multicoloridas e invocar Oxumarê, solicitando dele o que se deseja, mas que seja justo para que acelere suas evoluções, já que, se pedirem coisas tortas, uma “serpente” começará a segui-los e, mais dias menos dias, serão “picados” por ela de forma tão mortífera, que os paralisará.


Qualidade dos filhos de Oxumarê


Os filhos de Oxumarê, no positivo, são extrovertidos, falantes, galantes, envolventes, comunicativos, criativos, amáveis, educados, curiosos, interrogativos e alegres;

Os filhos de Oxumarê, no negativo, são apáticos, mórbidos, fechados, sombrios, isolacionistas, solitários, auto-punidores, venenosos e aziagos;

Os filhos de Oxumarê apreciam as ciências, os estudos filosóficos, passeios em grupo, reuniões agitadas ou festivas, discursos eloqüentes e emocionantes, a política, a liderança, ser expoente no seu meio e criar coisas novas e revolucionárias, e gostam de mulheres descontraídas e descompromissadas, pois são volúveis;

Os filhos de Oxumarê não apreciam a monotonia ou a repetitividade no seu dia a dia, mulheres ciumentas, a mesma comida todo dia, locais fechados ou abafados, pessoas inoportunas (aproveitadores), pessoas de natureza irracunda, irritante ou mal humorada;

Os filhos de Oxumarê são do tipo esbelto, solto e ágil;

Os filhos de Oxumarê apreciam as coisas místicas e mágicas;

Oxumarê é o numero 11(onze), seu planeta é o mesmo de Oxum, planeta Vênus.

Meu Pai Xangô

Xangô

O Orixá
Xangô, Orixá, dono das coroas, Rei de todos nós, senhor do equilíbrio, a Justiça de Deus sobre todos nós. Senhor das pedreiras. Salve Xangô, Kaô Kabecilê Obá!
Uma das qualidades divinas que todas as fés, credos e religiões mais cultuam e propalam é o poder de Justiça que o Criador, Deus, ou nome equivalente (Alá, Olorum, NZambi, etc.), possui. Para todos só existe uma justiça verdadeira e perfeita a que é executada e dita por Deus.
Na Umbanda isso não é diferente. A justiça divina, ou a justiça perfeita é executada e dita por um Orixá, o senhor Xangô. Assim na raiz umbandista a emanação de Deus denominada Xangô é a que concentra as energias, os espíritos e elementos necessários para que a Justiça Divina seja cumprida e que as leis do universo, as leis de Deus possam ser seguidas.
Neste sentido existem pontos que enaltecem este atributo tão importante, a justiça:
“Xangô, mostrai a força que vos tendes,
Xangô é o Rei da JUSTIÇA,
e não engana ninguém.”
“Ele bradou na aldeia, bradou na cachoeira
em noite de luar,
em noite de luar
Do alto da pedreira vem fazer JUSTIÇA
Para nos ajudar
Ele bradou na aldeia, kaô, Kaô
Ele vai bradar, kaô, kaô
...”
“Ele vem de Aruanda
Ele vem trabalha
Ele vence demanda
Ele é seu Arirá .... bis
Kaô, Kaô
Kaô, Kaô
A JUSTIÇA chegou Xangô”
Ou mesmo nos pontos dos caboclos de Xangô encontram-se a Justiça como ponto de força, e de axé:
“Cheguei sou Quebra-Pedra
Sou Caboclo de Xangô....bis
Tem vez que estou aqui
Tem vez que não estou
Só venho quando
Pede a JUSTIÇA de Xangô
Kaô, kaô, kaô
Sou Quebra-Pedra
Sou guerreiro de Xangô.”
Mesmo quando não há a expressa palavra Justiça outras palavras descrevem ou remetem à justiça divina como no ponto:
“é Xangô o rei de lá das pedreiras.
É Oxum rainha das cachoeiras......bis
Xangô é Rei
Xangô é Rei Orixá
Escreve LEI, pros filhos de Oxalá”
Ou:
“Meu Pai São João Batista é Xangô
Dono do meu DESTINO até o fim
...”
Nos cantos e nos atributos desse Orixá está intrínseco a noção de Justiça, e isso irá refletir em todos os trabalhos que precisarmos de Xangô. Seu instrumento, seu símbolo é um machado chamado Oxé, que possui lâminas iguais dos dois lados. O Oxé é a própria representação da Justiça pois mostra que Xangô é imparcial, mostra que em uma pendência a decisão será Justa.
Desta forma quando é preciso buscar justiça nas nossas vidas, chamamos o Orixá Xangô, quando estamos diante de conflitos e o consideramos injustos, clamamos por Xangô, pois Ele traz a Justiça Divina.
Mesmo que o sofrimento seja kármico, a demanda necessária, ao chamarmos Xangô, sua energia nos consolará, pois entenderemos que as questões são necessárias, e aquela sensação de indignação, revolta, é abrandada, e aprenderemos a lutar contra o sofrimento, respeitando as vontades divinas.
Portanto Xangô não só resolverás as demandas e conflitos, mas ajustará nossa energia e nosso entendimento para que possamos suportar as questões kármicas, aumentando nosso entendimento e nossa força para enfrentar aquele período difícil de nossas vidas.
Ou seja, pedir justiça, não é a certeza de que iremos receber o que pedimos, mas a certeza de que receberemos o que é melhor para nossa evolução, para nossa iluminação e de que não receberemos nem mais nem menos do que precisamos naquele momento.
Xangô, por ser a própria Justiça Divina, é o senhor do equilíbrio. Equilíbrio que todos almejamos e desejamos. Quando não conseguimos ter equilíbrio não conseguimos tomar decisões, e quando fazemos em geral cometemos erros. Um homem ou mulher equilibrados conseguem observar todos os senões, as artimanhas e lados de uma situação e assim conseguem tomar a decisão com mais propriedade.
Desequilibrados ficamos cegos, surdos para muitos aspectos decisivos das situações que nos encontramos, perdemos a fé, a razão e assim não enxergamos as saídas e os ensinamentos de cada momento Xangô é a força divina que equilibra. A Ele gritamos e cantamos para trazer equilíbrio em nossas mentes.
Mas equilíbrio também é sinal de saúde, pois um organismo equilibrado é um organismo saudável, portanto Xangô também auxilia na prevenção e na busca da Saúde. Razão esta que veremos em alguns pontos de cura, ou do Povo do Oriente a figura de xangô, ou de suas representações, como São João Batista, São Pedro, São Gerônimo. Por exemplo:
“São João Batista, vem, vem,
vem minha gente
Vem chegando de Aruanda
Salve o povo cor de rosa
Salve os filhos de Umbanda”
Senhor do equilíbrio e da Justiça Xangô é representativamente inflexível, pois não pode ceder a caprichos ou mimos, ou uma situação é justa ou não é. Por isso as pedreiras, as montanhas e serras são os sítios naturais de Xangô.
São nestes espaços naturais e sagrados que podemos perceber as energias de Xangô.
Em muitos locais do mundo ainda hoje, e em todas as civilizações em algum momento, a justiça ficou a cargo dos Reis e Rainha, ou seus equivalentes (chefes das tribos). Essa é mais uma explicação para que na maioria dos pontos reafirmarmos a realeza de Xangô.
Mas, além da questão própria da Justiça, afirmamos que Xangô é Rei, pois ele é o senhor que escreve as Leis, ou seja, reside na emanação divina chamada xangô, as regras e as leis da vida. Então somos todos súditos e subordinados desta força divina viva.
Também podemos afirmar que Xangô é rei, pois para nossa raiz entendemos que Xangô é o senhor das Coroas. Como Ele é o equilíbrio de Deus, ao estar em nossas coroas (cabeça) xangô equilibra as forças divinas em atuação em todos os filhos de todos os Orixás.
Nos mitos mais primitivos encontraremos Xangô brincando com brasas, com as labaredas do fogo, pois ele é o fogo. O fogo foi apresentado para os homens por meio dos raios, que ao caírem na terra e atingirem árvores provocavam os incêndios.
O homem fez o fogo ao bater fortemente duas pedras, elemento de Xangô. Por isso os mitos, as lendas tentam explicar como uma emanação divina controla o fogo, para nós podemos dizer que há uma dominação e ligação entre os elementais do fogo com o Orixá Xangô.
Vejam Xangô é o Senhor das Montanhas, pedreiras, a pedra dura, é fruto de um resfriamento rápido da lava (fogo), a pedra é o produto do fogo, sem fogo não há formação da pedra, das montanhas. As serras são fruto da colisão entre duas placas tectônicas, ou da explosão de vulcões, tanto um quanto o outro acontecem pois o fogo do interior da Terra decidiu se movimentar. Xangô é o fogo! Sarava meu pai!
Resumo:
É o Orixá da justiça. Justiça no sentido divino e perfeito, não no sentido do julgamento humano. É a emanação de Deus que dá o equilíbrio a todos os seres. É a força, a estrutura do universo. Se pudéssemos comparar as forças divinas com nosso corpo poderíamos dizer que Xangô é o nosso esqueleto.
Em seus domínios encontraremos as serras, montanhas, pedreiras, pedras em beiras de rios e cachoeiras. Domina raios e trovões. Xangô também domina o fogo.
Orixá responsável pelo equilíbrio, é a força divina providenciando as formas que a lei de ação e reação, ou lei kármica, entrarão em exercício.
Sua representação está associada a um machado com dois lados iguais, o Oxê, ou seja a imparcialidade, o equilíbrio, a própria justiça Divina. Xangô é o próprio poder divino, é a autoridade Divina na Terra.
SINCRETISMO
Em virtude da agressão aos negros os Jesuítas forçavam os nossos ancestrais a culturem a Igreja Católica. Nestes momentos históricos os negros selecionaram alguns santos para representarem seus Orixás. Isto não quer dizer que os Orixás são os santos, e muito menos os santos são Orixás.
Mas neste processo se revelou toda a sabedoria dos negros, ao escolherem as representações que explicam bem o significado do Orixá e o que ele representa.
No caso de Xangô temos como santo São Gerônimo.
São Gerônimo foi o primeiro tradutor da Bíblia, o religioso que permitiu que todos pudessem conhecer a palavra de Deus, ou seja popularizou as regras e leis ditadas na Bíblia, e assim permitiu que os homens e mulheres conhecessem as leis de sua época que eram as leis ditadas na Bíblia.
Ou seja, os negros escolheram o santo que ditou as leis aos humildes para representar o Orixá Xangô. Por esta razão comemora-se Xangô em nossa raiz no dia de São Gerônimo, dia 30 de setembro.
ARQUÉTIPO
Os filhos de Xangô são pessoas que sempre querem estar com a razão. Excelentes ouvintes, podem escutar por horas, mas querem dar a última palavra. Isto, pois, querem ser sempre uma autoridade.
As críticas diretas ou indiretas deixam os filhos de Xangô muito aborrecidos, em geral não as tolerando. Quando a aceitam as críticas guardam aquele momento para em uma ocasião futura criticarem a pessoa que os criticou, mostrando, assim, que eles também são donos da verdade e sabem ver o que os outros erraram. Ou seja, deixar claro que a pessoa não é mais do que ele.
Os filhos de Xangô sempre buscam ser justos. Tentam escutar as partes envolvidas, enxergar todas as possibilidades para então proferirem a sentença. A sentença, o julgamento, é assim, para eles, infalível. E este é o maior desafio dos filhos de Xangô, abrirem mão de julgar os outros, e entender que quem julga é o Orixá, e não seus filhos.
No dia-a-dia são pessoas justas, que procuram atuar sempre de forma equilibrada e ponderada, para que não cometer injustiças.
Voluntariosos e dedicados. Gostam de ajudar suas comunidades, mas gostam de fazer ao seu jeito e a seu tempo.
Pessoas honestas e sinceras, sua sinceridade não é aparente e agressiva como a dos filhos de Ogum, e sim uma sinceridade diplomática. São pessoas cheias de energia, extrovertidas e em geral alegres. Sua auto-estima é bem resolvida, tanto que possuem certo grau de egocentrismo.
São pessoas sociáveis, conscientes de sua importância na sociedade e na comunidade em que vivem, nem que esta importância seja uma suposição desses filhos. São líderes natos, e pessoas cativantes. Sedutores, gostam da arte da sedução, de atrair e conquistar seu par.
Falantes, quando explicam ou contam uma história querem o fazer nos mínimos detalhes. Nesses momentos abrem inúmeros parenteses, ou notas de rodapé para explicar uma palavra, um sentimento, a tal ponto que podem se perder em suas explicações.
Fisicamente (pensem em uma pedra) os filhos e filhas de Xangô possuem algumas características semelhantes. São do tipo atracado, ou seja ombros e quadris largos, fortes e com tendência a obesidade. Não são pessoas muito altas, mas sempre são largas, fortes, com estrutura óssea bem desenvolvida.
Saudação: Kaô kabecilê! (ou Kaô kabecilê obá) – Saudação ao Orixá Xangô que significa - venham ver (admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa.
Dia da semana –quarta-feira
Cor – Marrom
Ervas – folhas de café; folhas de eucalipto-limão; quebra-pedra; hortelã; ameixeira; alevante; lírio do brejo; erva-de-são-joão, lírio da cachoeira; mulungu; musgo-da-pedreira;

Meu Pai Obaluaê

Omulú/baluaê

Orixá da transmutação, a força Divina da transformação
O Orixá que denominamos de forma dupla nos terreiros de Umbanda, ora tratamos em nossas cantigas como Omulu, ora nos reportamos a esta representação, esta emanação de Deus como Obaluaê, é um único Orixá. E assim começamos a afirmar que Omulu/Obaluaê é um Orixá, ou seja, uma emanação de Deus, uma representação, uma qualidade do próprio Criador.
Em nossa casa cultuamos e reverenciamos o Orixá Omulu/Obaluaê, e temos uma relação muito própria em tratar os Orixás, uma vez que todos aprendemos que se Omulu é Orixá, se Nanã é Orixá, se Yemanjá é Orixá, se Oxossi é Orixá, e assim por diante, devemos considerá-los como indispensáveis para a compreensão de Deus. Ou seja, não existe uma forma de não interpretarmos o mundo, seja ele material, seja ele espiritual, se não compreendermos cada um dos Orixás e a integração entre os mesmos. Assim, entendemos que todos são fundamentais e essenciais para o Universo. Se nós não entendermos um Orixá que seja, não podemos compreender o todo, ou O Todo. Para quem quiser saber quantos são e quem são, acesse o artigo "Quem são e quantos são os Orixás."
Omulu/Obaluaê é o Orixá responsável, o Orixá regente das reencarnações, é a força divina que preside o desprendimento do espírito do corpo material sem vida, e, por conseguinte a força divina que liga o espírito no corpo material. Desta forma, no desencarne e no reencarne temos a força de Omulu/Obaluaê atuando em nós.
Senhor das Almas, Omulu/Obaluaê têm regência no campo santo, ou seja, nos cemitérios, e também nos locais similares, isto é, nos locais onde culturalmente se depositam os mortos, como crematórios, mares, rios, cavernas, etc.
Omulu/Obaluaê também é conhecido como o médico dos pobres, uma vez que é o Orixá da peste e da cura da peste, é esta emanação de Deus que possibilita a transmutação de um estado doentio em um estado saudável, é nesta corrente divina que os espíritos podem trabalhar na busca de materialização e desmaterialização para a cura do corpo físico. Por ser o senhor da Morte, ele detém o poder da vida, e assim atua no mundo material também na cura das doenças.
Este Orixá tem como elemento o fogo e a terra, ou a terra flamejante, a lava. Pois ao mesmo tempo em que molda com a terra, destrói ou forja com o fogo. E por isto é o Senhor da Transformação. Para entendermos essa força transformadora, um bom meio é observarmos a pipoca. A semente de milho de pipoca é dura, não serve para comermos, é feia, acanhada, mas basta colocarmos o fogo para transformarmos este semente dura, em um alimento rico, cheio de beleza. Ao estourar a pipoca simbolizamos a força transformadora de Omulu/Obaluaê. O poder de mudar de transformar algo que não tem serventia em algo que encanta. Não é por acaso que a pipoca é um dos pratos ofertados a este Orixá.
Sem dúvida nenhuma Omulu/Obaluaê é essencial para a nossa Umbanda, para a vida material como a conhecemos. Omulu/Obaluaê é um Orixá misterioso, guarda muitos segredos, sua representação coberto de palha da costa, não é apenas uma forma de esconder suas feridas, mito contado na tradição yorubá (nagô), mas o símbolo de alguém que tem o que esconder, algo que não pode ser revelado a qualquer um.
Muitas músicas populares fazem referência a este Orixá, mas quero destacar a música Minha Fé, cantada por Zeca Pagodinho, em que no meio da música entoa:
“Nas mandingas que a gente não crê, mil coisas que a gente não vê, valei-me meu Pai Atotô Obaluaê, valei-me meu Pai Atotô Obaluaê.”
Ou seja, nos mistérios da vida, em tantas coisas que não acreditamos, mas temos medo, valei-me meu Pai, proteja-me Obaluaê, abençoa-me Omulu.
Sua cor na Umbanda retrata esta força: o branco e o preto. O branco o espectro luminoso da união de várias cores, representando a pureza, a fé divina, o que ainda pode ser preenchido, e o preto que representa a força que suga, que atrai energias. Ou seja, com uma mão Ele suga as energias que precisam ser modificadas, que nos atrapalham e com a outra Ele nos enche de fé, de pureza e de energias positivas.
Por estas razões que os Pretos-Velhos têm ligação tão íntima com a representação de Deus que chamamos Omulu/Obaluaê. Senhores ancestrais que representam as almas que já fizeram a passagem, os pretos-velhos já vivenciaram tudo o que hoje estamos passando, os Pretos-Velhos, utilizam as energias deste Orixá todo o tempo. Muitas casas saúdam os Pretos-Velhos com “adorei as Almas”, Omulu/Obaluaê é o Senhor de todas as almas.
Também encontraremos nestas explicações todos os motivos que podem justificar a proximidade e a ligação umbilical entre os Exus e Pombagiras com o Senhor Omulu/Obaluaê. Senhor do campo santo, transformador, detentor do poder de conduzir as almas, senhor das reencarnações, Omulu/Obaluaê cedem aos Exus e Pombagiras as energias tão necessárias para os seu trabalhos. Não existe nenhum Exu ou Pombagira que não use as energias de Omulu/Obaluaê de forma constante.
Assim contemplar esta força, esta energia é algo grandioso e sem esta face de Deus eu entendo que não posso compreender a Umbanda, aliás sequer posso compreender a mim mesmo. Por isso eu tenho a convicção de que Omulu/Obaluaê é um Orixá, e como Orixá é tratado, cultuado e reverenciado em nossa casa.
A saudação a Omulu/Obaluaê é Atotô! Atotô Sr. Omulu/Obaluaê. Que tem o significado de silêncio, o senhor Omulu está aqui. Um sinal de respeito, e de que todos os presentes devem observar a sabedoria e força divina deste Orixá.
Seu dia é a Segunda-feira.
Pode-se ofertar a Omulu/Obaluaê: pipoca estourada (de preferência estourar a pipoca em panela de barro com areia do mar, sem usar sal ou óleo), amendoim torrado, flores brancas (margaridas), água mineral, farofa de mandioca com banana-da-terra (feita no fogo em panela de barro usando-se mel para adoçar).
Saravá meu pai Omulu
Saravá meu Pai Obaluaê

Meu Pai Ogum

Ogum

O Orixá
O orixá guerreiro.
"Se meu pai é Ogum, Ogum, vencedor de demandas...."
O ponto acima descreve a importância de Ogum para a Umbanda.
Ogum é o Orixá responsável pelos espíritos e pelas energias que vão desmaterializar, desconstruir as demandas, as magias contra os filhos que a Ele recorrem.
Por isso fala-se do Orixá Ogum como guerreiro. Senhor dos limites sempre está na frente abrindo a passagem para os demais Orixás. Razão esta que se explica nos rituais de Umbanda sua saudação em primeiro lugar (entre os orixás, já que a primeira saudação deve ser a de Exu).
Ogum exerce um papel fundamental na Umbanda, comandando os caboclos, os Exus e as Pombagiras, faz a guarda dos locais sagrados e dos médiuns de Umbanda. São eles que vão na frente para proteger e zelar pelas caravanas, pelo espíritos em missões de resgate e de trabalho.
Teremos Ogum no limite do Mar e terra, do campo santo e do profano, na entrada da mata, na beira dos rios e cachoeiras, e assim por diante. Isso também explica a razão de Ogum estar relacionado às estradas, aos caminhos.
Sendo vencedor de demandas, sendo um Orixá próximo aos trabalhos de Exu, deve dominar e manipular a magia. Isso também dá a Ogum uma relação íntima com os elementais. Sendo tido como o responsável pela evolução dos espíritos elementares. Isso pode ser observado nos pontos cantados das crianças da Umbanda (os senhores, os responsáveis pela ação, pelo acionamento dos elementais, espíritos elementares). Por exemplo: Cosme, Damião, Damião cadê Doum. Doum ta passeando no cavalo de Ogum. Ou então, Ele é pequenininho e mora no fundo do mar, sua madrinha é a sereia seu padrinho é Beira-Mar.
Simbolicamente Ogum quase sempre vem em seu cavalo branco, que é o símbolo das intenções puras, do defensor dos fracos, salvador da vida humana. Por exemplo o príncipe encantado monta o cavalo branco, o guerreiro herói e salvador do reino monta um cavalo branco, aquele que venceu o dragão monta um cavalo branco.
Ogum
ARQUÉTIPO
Os filhos de Ogum são aqueles cuja sinceridade aparece desnudada. Não medem as conseqüências de seus atos, não toleram falsidade, e muito menos aceitam parecer aquilo que não são. Se não gostam de alguém não se esforçam para mostrar o contrário. Facilmente irritáveis, tem crises e explosões de cólera, raiva. Explodem não medindo o tamanho da força empregada, independente do tamanho do mal a ele direcionado.
Não aceitam a opressão dos mais fracos.
Impulsivos, geralmente agem antes de pensar. Em geral, depois de sentirem-se aliviados por terem extravasado seu poder, arrependem-se pelo tamanho do estrago e das conseqüências de seus atos.
Passam do momento de explosão à tranqüilidade de um espelho d'agua com facilidade, ou seja seu humor em geral é muito mutável.
Raramente agem ou são explosivos de forma malévola e mal intencionada, acreditam estarem com a razão e sua cólera servirá como corretivo para a outra pessoa.
Determinados ao extremo vencem em situações em que qualquer outro falharia, sua coragem se renova justamente no momento em que todos os demais abandonam.
Por essas características não "falam por trás", não aceitam traição, dissimulação, assim não são traidores ou pessoas dissimuladas. No entanto, não gostam de ser criticados.
Pessoas que levam a vida de uma maneira prática, o mais prática possível. Por isso não são vaidosos, pois não gostam de perder tempo com isso, muitas vezes são despojados. Por isso, dificilmente será visto um filho de Ogum com penteados que precisam de horas para ser preparado, roupas desconfortáveis, que levariam um bom tempo para serem vestidas ou despidas. Entretanto, gostam de estar bonitos ou bonitas, bem vestidos.
Em geral são pessoas que gostam da tecnologia, dos novos caminhos da ciência, de outras formas mais modernas de exercer suas profissões.
Quando enfrentam um problema preferem a luta direta, franca, não são adeptos das sutilezas e da diplomacia para resolverem uma questão.
Como chefes da casa gostam que tudo gire em torno deles, de suas ordens e de sua forma de entender organização no Lar. Assim na menor falta gostam de expressar como a pessoa está agindo errada.
Dia da semana - terça-feira
Cor – Vermelha
Ervas - espada de São Jorge, folha de jabuticaba, tansagem, lança de Ogum, folha de mangueira. Folha de aroeira, folha de salgueiro-chorão, pata-de-vaca, folha de mangueira, abre caminho, beldroega, carqueja, losna, língua-de-vaca, peregum (dracena com raios vermelhos).
Amalá – Feijão fradinho, inhame frito coberto com mel, goiaba cortada no meio, manga (de preferência espada), 7 velas brancas, 7 velas vermelhas, cerveja clara servida em coeté, 7 charutos, fitas branca e vermelha, cravos brancos e cravos vermelhos (7 e 7).
Saudação – Ogum iê,!(salve Ogum)

Meu Pai Óxosse

Óxossi

O Orixá Oxóssi é a emanação de Deus-Uno que significa a catequese, a doutrina dos espíritos. É a força que vai caçar os espíritos alheios a lei de Umbanda para doutriná-los, trazê-los para a Luz.
Oxóssi é o Orixá que representa, também, a manutenção, já que é o caçador (mitologicamente) que vai em busca do alimento, é o homem que sai da tribo em busca do alimento de toda sua comunidade.
Por ter a mata virgem como um de seus elementos identificadores, bem como onde podemos sentir muita vibração de Oxóssi, é o senhor do desconhecido, do inexplorado, da bravura e do individualismo. Oxóssi por ser ligado à caça significa também o mais primordial, o primitivo, já que está para caça, contra a agricultura, para a magia, contra a ciência. Por ser a noite um momento propício para a caça, Oxóssi tem estreita ligação com a Lua.
É o Orixá da Umbanda que tem o domínio da magia das ervas, e por isso é a emanação divina que traz a cura para os males físicos (junto com Omolu). Pela sua liberdade, contato com a vida intensa (florestas) é a emanação divina que nos traz a alegria, a força e a vontade de vivermos de cabeça erguida, de olhos abertos e com a certeza de que sempre teremos alguém para nos guiar. Assim é a emanação de Oxossi que nos ajuda a não cair ou a nos tirar da depressão e da tristeza.
Por essas razões é que em todos os locais há uma estreita ligação deste Orixá com os caboclos, mas é preciso sempre lembrar que os caboclos estão nas sete linhas, em todos os Orixás.
Oxóssi
ARQUÉTIPO
O filho de Oxóssi
São pessoas que gostam da liberdade, gostam de se sentirem independentes, não se importando muito em romper laços familiares. Apreciam a solidão, o fato de ficarem momentos isolados, em contemplação. Tem um interesse em atividades que requeiram concentração, e as vezes silêncio, tem dificuldade em trabalhos em grupo. Muitos são calmos e pacientes, sabendo esperar o momento certo de agir, não agindo de forma impetuosa, ou impulsiva.
Em geral são joviais, ágeis e espertos, tendo um olhar atento e vivo. Alguns de seus filhos possuem grande criatividade e dons artísticos. Por essas razões são cheias de iniciativa, com grande senso de responsabilidade e muito cuidadosos com suas famílias.
Consideram o espaço individual de cada um como sagrado, assim não costumam falar muito dos outros e muito menos julgá-los.
Muitos de seus filhos não sonham muito, preferindo canalizar suas energias para o momento certo da caçada. Tem certa dificuldade em relacionamentos, preferindo relacionamentos pouco duradouros. Quando optam por um estável, escolhem pessoas que também apreciem a independência. Apreciam a camaradagem, e as conversas sem fim.
Dia da semana - Quinta-feira
Cor - Verde (verde mata, bandeira)
Ervas - Samambaia nativa, samambaia do mato, xaxim, folha de goiaba, folha de araçá, guiné, folha de salgueiro-chorão, malva-do-campo, malvarisco, folha de pitanga, capim-limão, guaco, peregum verde (dracena verde), acácia jurema, alfazema-de-caboclo.
Amalá - 7 velas brancas, 7 velas verdes, uma moranga assada com milho-verde dentro coberto com mel, cerveja clara em coeté, 7charutos, fitas verde e branca, flores diversas e folhas de suas ervas;
Frutas - praticamente todas
Outras oferendas - velas brancas e verdes, ou vela bicolor branca/verde, milho-verde assado coberto com mel, quibebe (refogado de abóbora), sementes de abóbora assada, frutas, charutos, cerveja clara em coeté, fitas verde e branca.

Pai Oxalá (Êpa BaBá )


Oxalá  

Oxalá é o Orixá que rege a fé, é assim, o caminho entre nós filhos (criaturas) e o Pai (criador). Fé é a crença, a convicção da existência de fatos ou da veracidade de algumas afirmações. Ou seja, crer em Deus, nos Orixás, na vida após a morte, nas reencarnações, são atos de fé, portanto regidos pelo Orixá Oxalá. Sem a força e o axé deste Orixá não há como compreender, entender ou vivenciar os demais Orixás, a Umbanda ou mesmo Deus.
Oxalá é também a figura paternal na Umbanda, assim como Iemanjá é a grande mãe, Oxalá é o grande pai, isto pois, na mitologia Oxalá é o pai de quase todos os Orixás. O próprio nome Oxalá revela a questão paternal, pois Oxalá é a corruptela de Orixalá, que significa Orixá dos Orixás, ou Pai dos Orixás. Esta reverência se dá por ter sido Oxalá um dos primeiros movimentos de Deus, uma das primeiras manifestações divinas.
Por estas razões Oxalá é o Orixá do branco, ou como dizem nos candomblés o Orixá Fun-fun, branco de pureza. Branco que simboliza a pureza, mas que também significa a união das luzes. Por isso assume a figura de pacificador, de promoção da paz, da tranquilidade. Assume, também, a figura do senhor da razão, que aliado a fé constrói em cada um de nós a certeza da existência de Deus e de suas manifestações por adesão (fé) e por raciocínio (razão).
Oxalá por tudo isso é sempre visto como uma figura central nos terreiros. Sua imagem está centralizada nos altares, e muitas vezes chega a ser muito maior (a imagem) do que os demais Orixás. Difícil é entender que apesar de tudo isto não é um super-Orixá, não é melhor ou mais do que os demais. Não há para a Umbanda hierarquia entre os Orixás, pois sem a manifestação de qualquer um deles não há vida, não há axé.
Na mitologia Yorubá coletamos diversas parábolas que tratam da figura de Oxalá como pai, como caminho de Deus, e também como o responsável pela criação dos homens e das mulheres.
Segundo este mito Yorubá Deus chamou Oxalá (no mito seu nome é Obatalá) e mandou ele confeccionar o homem, e Oxalá buscou em todo tipo de material, areia, ar, água, vegetais, mas não conseguia moldar o homem, então Nanã Buruquê empresta seu barro primordial, e com esta matéria Oxalá cria o homem, e dá a Deus (Olorum) que então satisfeito sopra sobre os homens e mulheres feitos de barro de Nanã e dá a eles, assim, a vida.
Oxalá, portanto, é o regente da nossa vida, por isso muitos o chamam de regente planetário.
Nosso pai Oxalá representa a maturidade espiritual, o equilíbrio pleno e a sabedoria absoluta.  Seu símbolo é um cajado denominado opaxorô. O opaxorô é composto de uma aste (cabo) com três pratos fixados, e em cima do último uma pomba, ou pássaro. Cada prato simboliza uma dimensão: o mundo dos homens encarnados, o mundo espiritual (eguns) e o mundo dos Orixás. Os mundos são conectados por um cajado, que demonstra que os mundos ou dimensões não existem por si, mas precisam de um eixo (Deus). Por fim no topo do cajado observa-se um pássaro que simboliza a união, a ligação, a comunicação entre os mundos. Demonstrando o símbolo que Oxalá é o senhor destes mundos, e que pode transitar por eles.
Interessante observar como os símbolos se assemelham em diversas religiões. Para muitas religiões cristãs Deus se comunica com os homens por meio do Espírito Santo, que é representando por uma pomba branca.
No sincretismo figura Jesus Cristo como a representação do Orixá Oxalá nos terreiros. E observamos a sabedoria na escolha deste representante. Afinal no cristianismo o senhor da fé aquele que representa Deus na Terra é Jesus, portando nada mais natural que Jesus representar Oxalá.
Mas Jesus é Oxalá? Para nós não, pois Oxalá, assim como todos os demais Orixás são emanações, qualidades, movimento, do próprio Deus (Olorum), portanto, não pode ser individualizado em um ser, em uma pessoa. Tenho a crença, fé, que Jesus Cristo foi uma figura de importância incomparável, e que seu espírito é e era de uma elevadíssima condição moral, e que por amor aceitou a missão de espalhar um caminho de fé e libertação para a felicidade verdadeira na terra dos encarnados. Portanto defendo uma tese que Jesus era um emissário de alto escol do Orixá Oxalá, sendo hoje um dos espíritos que dirigem as energias e os espíritos trabalhadores de Oxalá para o nosso planeta.
ARQUÉTIPO
Os filhos desse Orixá são pessoas de confiança. Reflexivos e pensativos. Querem refletir e descobrir o porquê de seus sentimentos até a exaustão. Filosofam sobre seus sentimentos ao ponto de se perderem nesse emaranhado de pensamentos.
São lentos, as vezes preguiçosos, e calmos. Mesmo quando apresentam um temperamento explosivo externamente, são calmos internamente.
Geralmente se sentem vítimas, acham que há uma conspiração, ou uma razão que eles desconhecem para que falhem. São pessoas que não são subservientes, não aceitam a submissão. Respeitosos, mas sempre deixam claro que no final a decisão é deles, podendo chegar a casos de autoritarismo.
São pessoas muito reservadas, introspectivas. Têm dificuldades de expor seus problemas íntimos. Quando acreditam achar a solução para um problema se tornam teimosos e será uma tarefa muito, mas muito difícil convencê-los do contrário.
Pessoa muito organizada. Tem tendência a buscar a reclusão para resolver suas pendências, em geral busca a solidão. Para que o filho de Oxalá desperte em si mais alegria de viver deve aprender a aproveitar, a apreciar as pequenas coisas da vida e delas retirar momentos de prazer e alegria.
Nunca esquecem uma traição, uma falta, podem não guardar o rancor ou a raiva, mas jamais esquecerão do ocorrido.
Dia da semana – Sexta-feira (ou domingo)
Cor – Branca
Ervas – Boldo (tapete-de-Oxalá), alecrim, sálvia, folha de Girassol, folha e flores de laranjeira, alfazema, alfavaca, manjericão, rosa branca, agapanto, guaco, jasmim do cabo, manjerona.
Amalá – 7 velas brancas ou 14 velas brancas, fita branca, água mineral em coeté, canjica cozida na água servida em louça branca coberta com algodão, uvas verdes, pêra verde, maçã-verde, flores brancas (rosa branca em especial).
Saudação – Êpa Babá (olá, com admiração e espanto, ao ancestral dos ancestrais)
Local de entrega – campinas, pradarias, praia, clarões nas florestas.
Saudação - Okê! Okê Arô! (significa Autoridade, rei, que fala mais alto, ou seja salve o Rei que é aquele que fala mais alto).